| Diálogos |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
- Este programa não é aquele que... - É. - E tem aquela coisa do... - Sim. - Mas nem sempre acaba com... - Não. Nem sempre. - Às... - Vezes... - Pois. Nem sempre. - Mas viste aquilo... - Do fim do programa? - Não. - Que deu na sexta-feira? - Não... Ai... - Já sei! Aquela coisa que dá a meio e que passa de um lado para o outro, mas que a gente nunca vê. - Isso! - Eu sabia o nome disso... - Eu também. - Ai... - Pronto, deixa lá. - Pois, é melhor. - Então xausinho. - Adeus. |
| Se tivesse um clone |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
| Outro dia descobri que se tivesse um clone não tinha nada para lhe dizer. O que quero dizer é que se estivesse com ele não saberia o que dizer porque não teria nada que me interessasse contar-lhe ou perguntar-lhe. Eu não teria nada contra ele. Aliás, se me perguntassem por ele, eu diria “é um gajo porreiro, dá para falar muito bem com ele”, o que é que eu não teria nada para lhe dizer. Estaríamos frente a frente, ambos à procura de algo de interessante para dizer um ao outro e nada encontraríamos e acabaríamos por nos chatear mutuamente. |
| Frases soltas |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
| Deus não existe, por isso, se algum dia o vires lembra-te de que estás a sonhar, deste lado ou do outro. |
| Frases soltas |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
| E vejo a Verdade. Dura e crua, que é como é servida. E o ver a Verdade é o desejo de desejar desconhecê-la. Acima de tudo é querer ter o que não se tem: o maior dos desejos do Homem. |
| Para onde vão os nossos escritores? |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
| A Vida é ver passar a Vida. Acordar numa cidade, saber o que se tem para fazer, ir para a escola, admitir um sistema rotineiro e maquinal sem levantar questões. Pretendem transformar o ser humano numa máquina de conhecimentos e trabalho. A adaptação de um ser humano à sociedade actual. Pegar num bebé recém-nascido erguê-lo aos céus e dizer “que este adquira os conhecimentos, se instrua no básico e no específico, e depois, que aplique o que aprendeu para continuar e desenvolver a sociedade e que para um dia aponte o dedo para outros bebés recém-nascidos e repita o mesmo”. É este o quadro da sociedade, assim umas mãos grandes cobertas com um robe de monge a agarrar um bebé no ar, e um dedo fatalista a apontar-lhe o destino na direcção da cara; tudo isto, sobre um fundo sépia, luminoso no centro da imagem. Se ao menos eu soubesse pintar... Bem... pinto com palavras... E é esta a nossa sociedade, de trabalho e de tecnologia. O que aconteceu ao pensamento humano? às artes humanísticas e à escrita? Começo a pensar, para que ando eu a estudar os escritores como Fernando Pessoa e Eça de Queirós, quando um dia serei engenheiro de uma mecânica qualquer? Para isso vou ser escritor, a sociedade tratar-me-á mal, mas eu combato sem desistir. Ou então vou dar lugar a esses pseudo-políticos, todos escrevem um livro, mas não faz mal porque também não os lemos. Não é solução. Mas, então, para onde vão os nossos escritores, aqueles que ficam para os alunos estudarem mais tarde? |
| Frases soltas |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
| Eu escrevo. Escrevo e quero ser como outros escritores. Sei que não sou como eles, não tão bom como eles. Mas também sei que eles também querem ser bons como outros escritores. Por isso, sei que estou num bom caminho. |
| Quem são estas pessoas? |
# publicado a 25 de Julho de 2006 por Tobias |
| Há uma coisa que preciso de contar. Sinceramente, não me levem a mal, mas é só pretendo expor como me sinto. E sinto-me assustado com algumas cartas, mensagens ou emails que leio, tanto de amigos como de familiares. Porque eu penso que os conheço... da minha perspectiva, pelo menos, eu posso dizer que os conheço. Mas quando leio o que escrevem, acabam por se revelar pessoas totalmente diferentes. Se isto fosse um artigo como outros que tenho escrito, agora eu partiria para a introspecção, a falar se eu sou diferente para as outras pessoas quando escrevo, se me acham diferente aqueles que me conhecem. Também estou muito curioso quanto a este aspecto, mas devo dizer que, acima de tudo, eu sinto-me assustado com o que leio do outros. Neste momento, estou mais preocupado com o que leio do outros. Eu fico assustado. Quem são estas pessoas? Eu de certeza que não as conheço, elas nunca falaram assim comigo antes. |
| Frases soltas |
# publicado a 17 de Julho de 2006 por Tobias |
| Um Homem perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. E o tempo respondeu ao Homem que o tempo tem tanto tempo!... - contou o Homem a um amigo. |
| Sobre o poema "Escrever é pensar" |
# publicado a 17 de Julho de 2006 por Tobias |
| Meu amigo Sujeito Poético, gostei muito do teu poema. Fico contente que tenhas gostado da temática do tempo, devo dizer que também gostei bastante de escrever aqueles artigos. Gostei particularmente de observar que tens uma perspectiva diferente da minha, na medida em que para ti o tempo pára quando se começa a escrever ou a pensar, como dizes no poema "Escrever é pensar./O relógio deixa de bater,/O tempo começa a parar". É como se entrasses num estado flutuante e intemporal de pensamento, de liberdade espiritual, pelo menos, é a minha interpretação daquele salto pelo precipício. E, por isso, o tempo pára, pára para pensares. O tempo está ao teu serviço, ao serviço do pensamento. Para mim o tempo é meu inimigo. É a noite que se escapa e amanhece, queremos escrever ou pensar mas o tempo escapa-se, esgota-se. E quando interrompemos o que estávamos a fazer para tomar conta desta passagem, mais tempo perdemos. Perdemos tempo com o que fazemos e a dar conta da sua perda. Nunca conseguimos fugir. Um pouco como destino... talvez uma outra perspectiva... tu deves ter uma interpretação tua que muito gostaria de ouvir. Um abraço do teu amigo Tobias. |
| Escrever é pensar |
# publicado a 16 de Julho de 2006 por Sujeito Poético |
[ Tobias, meu amigo, não te chateies comigo, mas, após ter lido o que escreveste sobre o tempo, incluí uma pequena parte sobre o mesmo num dos meus escritos. Espero que não te importes ]
Escrever é pensar. O relógio deixa de bater, O tempo começa a parar. O espaço é a imaginação, Criar, imaginar e sonhar São a sensação de liberdade de viver.
Mas se de sensação se trata, De verdade nada têm. E a razão e o pensar São o preço a pagar Por quem deseja sonhar mais além. |
| Correr para um precipício e saltar |
# publicado a 16 de Julho de 2006 por Sujeito Poético |
Correr para um precipício e saltar. E no ar começar a magicar, a sonhar, Aqueles três quatro segundos a ver o chão aproximar.
Mas não ter medo de partir. Pois se antes era sonhar, Depois é o sonho. |
| Separados pelo tempo |
# publicado a 16 de Julho de 2006 por Tobias |
| Num corredor em que o tempo andava para trás, um homem andava para a frente. Ele percorria o corredor da esquerda para a direita e ao andar ficava cada vez mais novo. E quando se achava em perigo morrer, por ficar um bebé, dava uns quantos passos para trás e logo envelhecia o suficiente para, da sua perspectiva, poder ver na ponta mais à direita do corredor, ao longe, a sua amada, o seu amor, separados pelo tempo. Então, de uma corrida, salta-lhe para os braços, correu homem feito e caiu no seu colo um bebé. Ele estava ali, mas já não sabia quem era o seu amor ou quem era. Então ela, entre lágrimas, chorando o seu amor, escolhe dar a vida pelo seu amado, e, carregando o bebé ao colo, começou a caminhar em frente, a ficar cada vez mais velha e ele começou a crescer novamente, e caminhou até não poder mais e cair ao chão... onde ele a abraça eternamente. |
| Escrever contra o tempo |
# publicado a 16 de Julho de 2006 por Tobias |
| É tarde e o relógio não para de bater. Eu quero escrever mas o tempo foge. Cada palavra que escrevo é um segundo que passa. Por isso, começo a apagar palavras, a escrever para trás. Mas cada palavra que apago é também um outro segundo que se perde para sempre. Por isso, paro de escrever e começo a pensar em palavras. Mas cada palavra que penso é um segundo que desperdicei. Até que me contenho. As mãos param de escrever e pairam sobre o teclado. Olho à minha volta à procura de movimento para censurar. Tudo tem de estar parado. Não há nada que se mova. O tempo parou! Não, ainda não parou porque o cursor do computador continua a piscar na linha onde estava a escrever. Eu continuo imóvel, a pensar "Pára, pára, pára" até que ele pára. O cursor parou de piscar. Mas ainda há movimento porque o tempo continua a passar. Tem de haver algo que se continue a mexer. O que será? Pum, pum, pum, é o meu coração. Tem de parar! eu quero escrever e não tenho tempo, por isso, tem de parar! "Pára, pára" e o coração pára. Agora sim, tenho todo o tempo para escrever... |
| Frases soltas |
# publicado a 15 de Julho de 2006 por Tobias |
| Aprendi que tudo é relativo, que os erros são liberdades poéticas e que o mundo não é o que eu penso. Não aprendi nada. |
| Escrever na estrada |
# publicado a 7 de Julho de 2006 por Tobias |
| Estou a escrever na estrada. Uma mão no volante, outra numa caneta. O papel está sobre o volante e a estrada flui por palavras. Palavras rápidas, alta velocidade. Palavras difíceis, curvas apertadas. Sempre a andar, sempre a escrever. O traço interrompido do asfalto passa de cima para baixo sobre a minha cara, sobre os meus olhos, é vê-lo a passar contínua e repetidamente. À noite é difícil ler o que escrevo, é difícil ler se escrevo, nem a linha do papel consigo ver. É como uma estrada à noite, não se vê para onde se vai, mas vai-se sempre vendo por onde se anda. Sempre a andar e sempre a escrever. Cada vez mais rápido, cada vez a acelerar mais e cada vez escrevo mais depressa, a mão já treme, a mão já dói, sempre a andar e sempre a escrever. A olhar para a estrada, a olhar para o papel, a captar a sensação total de andar na estrada à noite a alta velocidade, a olhar para a estrada, a olhar para o papel, a olhar para o papel. Bati numa árvore, acabou a sensação, parei de escrever. No papel ainda foi escrito e sublinhado: O FIM. 
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| Comentário de D. Afonso Henriques sobre o jogo Portugal-França |
# publicado a 6 de Julho de 2006 por D. Afonso Henriques |
[ Brevemente o rei de Portugal vai falar do estado da nação. Vamos, então, aguardar mais uns minutos. E enquanto esperamos posso-te dizer, Zé Carlos, que faz tempo que Portugal não marcava tanta audiência, aqui onde me encontro, para escutar o rei de Portugal. E é agora, o rei de Portugal está a dirigir-se a Portugal. Senhores telespectadores, o rei de Portugal, D. Afonso Henriques. ]
Portugueses e portuguesas, trago-vos hoje nada mais nada menos do que más notícias. Portugal perdeu contra a França. A nossa selecção, os grandes nobres, a corte de Portugal... FOMOS ROUBADOS, não se admite, já no último mundial no jogo contra a França foi a mesma vergonha, GATUNOS, se aquilo é penalty não me venham dizer que o Cristiano Ronaldo a cair na grande área francesa é fiteira. LADRÕES, o que era preciso é a gente ir ensinar àquele árbitro o que é que é penalty, assim uma cotovelada na zona lombar e um punho no focinho.
[ Senhor rei de Portugal... ]
Ah pois... A pose... cof cof... Só queria acrescentar que são uns LADRÕES, GATUNOS, não merecem passar, não merecem nada, nã... é D. Afonso Henriques que vos diz...
[ Como pudeste ver, Zé Carlos, o rei de Portugal está bastante chateado com a nossa derrota no jogo Portugal-França, até teve de ser levado pelos seguranças. E por hoje é tudo. O que é preciso é um pouco de desportivismo, saber perder acima de tudo. Foi uma grande vitória para a França, para aqueles GATUNOS, LADRÕES, se eu os apan... ]
- Daqui Zé Carlos a falar-vos do estúdio. Terminamos por aqui o telejornal de hoje, uma boa noite e até amanhã. GATUNOS, LA... |
| Diário de um explorador do século XIX |
# publicado a 6 de Julho de 2006 por um explorador do século XIX |
| Qrchhhhk. Saudações, pequenos marujos e marujas. Daqui fala o vosso comandante da expedição ao Vale Perdido. Pretendo informar que já falta pouco para chegarmos ao nosso destino. Estão 30ºC, temperatura ambiente, estamos a percorrer o rio Amazonas a uma velocidade instantânea constante de 30 nós, a uma altitude de... ao nível do mar... ou do rio. O consumo médio é de 5 litros por hora e não é permitido fumar. A casa de banho é tudo o que não for o barco, sumos e refrescos peçam às ajudante de bordo. Outros problemas e necessidades peçam às ajudante de bordo. Relembro-lhes que o champagne se encontra destinado a membros do staff e espero-vos uma continuação de boa viagem. O vosso comandante. Qrchhhhk. |
| Diário de um explorador do século XIX |
# publicado a 2 de Julho de 2006 por um explorador do século XIX |
| Bom dia soldados! E que melhor hora para acordar, senão uma manhã solarenga. Previsões para o dia de hoje? Cheira-me a Vale Perdido. E não sei se já referi, mas quem está perdido somos nós e não o vale, mas também somos nós que o queremos encontrar. Pois... Mas até agora não disse nada diferente do que já sabiam, por isso, a actualização de hoje é a nossa localização exacta, é isso mesmo, ouviram bem soldados. Parem de rir acham que o vosso comandante não sabe do que está a falar? "Não". Humf, estes soldados não percebem nada. Por isso, incluo no meu relatório um mapa que acho que resume muito bem a nossa localização e a nossa percepção do espaço. Segue, portanto, um mapa da Amazónia com a nossa localização exacta e a localização do Vale Perdido. E posto isto parto agora confiante para a minha expedição: em busca do Vale Perdido! 
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| Linhas de caminho de ferro |
# publicado a 1 de Julho de 2006 por Sujeito Poético e Tobias |
Um homem ia a caminhar por uma estrada de areia, Num dia de sol e de poeira.
Chegando a uma linha de caminho de ferro, Que se atravessava na sua perpendicular, Deu um último passo certo em frente, Ficando esta a o sustentar.
Sem caminho nem direcção, Sem decisão previamente estudada, Chegou a uma bifurcação.
Seria para esquerda ou para a direita? Para a direita, o deserto comia a linha de caminho de ferro, que ia desaparecendo com a distância numa nuvem diluída de vento e de poeira. Para a esquerda, a linha desaparecia abruptamente na floresta, densa, de um verde denso, um autêntico labirinto. No entanto, numa placa, num sinal vertical, que só alguns Homens é que conseguiam ver, leu "linhas de caminho de ferro Destino". E perante esta indicação, tomou uma decisão. Retomou o seu passo certo, nem para a esquerda, nem para a direita, mas em frente.
E toda a musicalidade do seu andar, Voltou para o acompanhar. E o homem, sem nada suspeitar, não conseguia ver Que atrás de si vinha o maquinista, E as "linhas de caminho de ferro Destino" uma nova rota estavam a estabelecer.
[ Inspiração encontrada na imagem publicada sexta-feira, 23 de Junho de 2006, no blog Às duas por três... ] |